Reflexões - Cap. I

Estava aqui ponderando sobre a vida enquanto fazia alguns serviços domésticos e cheguei à algumas conclusões.

Já faz algum tempo que eu sinto uma inquietação quando penso em tudo que já fiz, em tudo que gostaria de fazer e principalmente nas coisas que deixei de fazer. Arrependimentos a parte, eu tenho pensado muito na forma como conduzo a minha vida e em todas as influências as quais estou exposta diariamente.

Estamos diante de um momento de despejo de informações. Tudo é excessivo, verborrágico e imediato, tudo precisa ser processado em segundos. Se não couber em dez ou quinze segundos perde o valor.

Eu sou remanescente de outra época e perceber que estou me habituando a essa era imediatista e com pouca profundidade está me assustando um pouco. Não foi isso que prospectei para a minha vida adulta.

Sou da época dos textos grandes e dos filmes de três horas e meia de duração. Notei que essa minha habituação a era do 'estalo', como costumo chamar, tem me causado danos em várias frentes da minha vida.

Eu, que sempre tive uma escrita impecável e tão sempre muito elogiada, me vejo cometendo erros bobos por falta de atenção. Perdi a fluidez ao tentar discorrer sobre uma ideia, estou com as habilidades motoras relacionadas à escrita manual prejudicadas e fui acometida pelo mal do século: a pressa de consumir informações rapidamente e em excesso.

Isso tem resultado no único cenário possível: começo várias coisas e não termino nenhuma, me interesso avassaladoramente por algo e no minuto seguinte esse interesse se desvanece e é como se nunca tivesse existido.

E com isso estou sentindo minha vida escorrendo por entre meus dedos. Me sinto improdutiva e frustrada, como se não fosse boa suficientemente para fazer nada.

Anseio de forma voraz por complexidade, mas quando me deparo com ela me assusto, me retraio e muitas vezes declino. Acabo cedendo à comodidade das águas rasas e ali permaneço me sentindo incoerente com meus sentimentos, desejos e visão de mundo.

Sempre tive como princípio tentar ser uma pessoa melhor, deixar uma marca positiva no mundo, na vida das pessoas que cruzassem meu caminho, usar minha existência para ser e fazer algo bom, mas isso dá trabalho.

E estamos numa época que ninguém quer ter trabalho com nada, inclusive eu. Então sigo me sentindo incoerente, frustrada, rasa e improdutiva. 

A faísca do desejo de mudar essa perspectiva já existe, os pequenos passos rumo a um cenário diferente começaram a ser dados, porém, ainda é muito difícil e desgastante. Mas eu não quero chegar no fim da minha vida com o sentimento de que não fiz e não me esforcei em ser o máximo que eu poderia, que eu simplesmente segui o curso do rio para não ter que me debater contra a correnteza.

Eu só quero encerrar a minha existência nesse mundo sabendo que fui o melhor que poderia ter sido e não quem era mais fácil eu ser.

Good Faeries, Bad Faeries

Tenho uma sensação constante de arrependimento por não ter explorado mais os sebos que visitei durante minha ida para a Irlanda em 2013 e acabei indo olhar os livros que trouxe de lá. Sim, lamento não ter explorado cada prateleira daquela, não ter entrado em cada portinha que anunciava livros de segunda mão e não ter comprado uma mala a mais para trazer todos os tesouros que com certeza teria encontrado.

Mas nunca é tarde e é certo como o dia que amanhece que eu iremos pra Irlanda novamente. E se depender da minha paixão e do digníssimo por aquele lugar, certamente não serão poucas vezes, já que sempre teremos a ‘desculpa’ de fazer o combo Irlanda & Escócia que são paixões eternas em nossas vidas. Então a minha chance de garimpar os sebos chegará no seu devido tempo.
Um dos tesouros encontrados lá, mais precisamente em alguma esquina de Dublin, foi o livro Good Faeries, Bad Faeries do Brian Froud. Não é preciso pensar muito para saber que o Sr. Froud é um dos meus ilustradores preferidos e encontrar um livro dele por poucos euros foi motivo para pulinhos e crises histéricas no corredor da loja, sorte que não havia ninguém que entendesse português nas imediações naquele momento.

Pegar esse livro hoje foi um misto de euforia e nostalgia, uma sensação ‘quentinha’ invadiu meu coração e eu senti vontade de registrar em fotos esse meu pequeno tesouro de forma bem aleatória. Resenhas e opiniões sobre o livro à parte, vamos aproveitar hoje somente a beleza e talento impressos nessas páginas.

Até mais! ♥

Janeiro, 8.

Olá!

Espero que tenham tido um bom início de ano. Saibam que desejo meus melhores votos para que todos tenham um ano mais leve e gentil do que os anteriores foram.

Já faz algum tempo que não sou tomada por aquele sentimento de renovação que supostamente um novo ano trás, talvez seja porque os últimos anos não foram muito fáceis de modo geral. Iniciei o vigésimo terceiro ano desse milênio sem muitos planos, mas tomada por um desejo visceral por dedicar algum tempo às coisas que me trazem algum conforto e felicidade.

E assim tenho feito... Estou firme e constante nos meus estudos de caligrafia. Estou fazendo um curso de Caligrafia Tradicional Brasileira pela Donkey Handwriting e recentemente adquiri o curso de Manuscrita Documental com a mesma escola. E de forma autodidata também estou estudando outros estilos caligráficos como uncial, spencerian e foundational hand.

Recentemente também redescobri meu apreço por iluminuras medievais e também as inclui entre meus estudos, inclusive até me aventurei em tentar reproduzir algumas letras capitulares.

Nessa ocasião eu usei materiais improvisados, mas agora já estou providenciando pincéis melhores, um papel mais rígido e outras cores de tintas. Percebam que a letra "A" à direita eu preenchi com canetas em gel e o "P" à esquerda eu usei tintas para caligrafia nas cores ouro e bronze. E mesmo assim fiquei bastante satisfeita com o resultado.

Quanto aos treinos de escrita cursiva, tenho evoluído a passos lentos. Não tenho domínio sobre as penas e por hora achei melhor voltar aos exercícios básicos dos estilos spencerian e copperplate e me concentrar melhor na escrita cursiva tradicional, que já será um grande avanço no meu desejo de escrever cartinhas para as minhas amigas e o livro de receitas pra minha pequena Alice.

Então nesse momento os treinos da caligrafia cursiva básica estão sendo feitos à lápis e confesso que tenho dificuldades também com algumas letras, seja pela coordenação motora ou pelo simples fato de não simpatizar com a grafia dela. Mas tive algum avanço nessa empreitada...

E como todos esses treinos e minha mente voltada totalmente para a arte notei que tenho tido pensamentos menos nebulosos, mas também que o desejo pulsante de adentrar cada vez mais no meu mundo ficou mais acentuado também.

Seja pelo momento conturbado que ainda vivemos ou pelo simples fato da arte me apetecer mais, já estou sem paciência para muitas coisas. Me entedio com facilidade e com a mesma frequência me aborreço e num instinto de autoproteção, me recolho e me fecho.

E com isso eu senti uma necessidade de ter um espaço em casa para me dedicar às artes sem a interrupção do computador, mas não via meios pra isso. Até que uma visita à casa de minha mãe e um pouco de perspicácia do digníssimo encontramos uma solução: um espacinho entre a parede e o guarda-roupa em nosso quarto, onde com ânimos felizes colocamos uma pequena mesinha e duas prateleiras.

Ali ficarão meus materiais de caligrafia, pintura e journal, bem como os livros que pretendo ler a curto prazo, pois também elegi esse cantinho para parte das minhas leituras de livros físicos.

Ainda há necessidade de melhorias, pois não fiz nenhuma decoração e a parede precisa de pintura antes que eu possa de fazer algo ali, mas já estou muito feliz com o prospecto de ter esse espacinho tão especial pra mim. E assim que possível trarei mais detalhes sobre ele por aqui.

Com carinho,
Priscila